Doença Inflamatória Intestinal

A doença inflamatória intestinal (DII) caracteriza-se por uma inflamação crónica do intestino que não é causada por infecções nem por outras causas identificáveis. Estima-se que esta doença afecte cerca de 15000 pessoas em Portugal, tendo-se observado nos últimos anos um aumento da sua incidência. A sua origem mantém-se desconhecida apesar de inúmeras investigações. Não existe uma única explicação para o seu aparecimento, existem sim várias teorias tentando explicar a doença. Actualmente, defende-se que a DII tem na sua origem a interacção de causas multifactoriais, tais como: factores genéticos, ambientais e a resposta imune do próprio indivíduo. Podemos dizer que esta doença ocorre em pessoas susceptíveis (com susceptibilidade genética à doença), em interacção com determinados factores ambientais (que actuam como desencadeadores da doença), e para a qual o indivíduo não desenvolve uma resposta imune adequada, ocorrendo uma perturbação na função da parede do intestino, ou seja inflamação.

A Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa são as duas principais formas de DII. Têm características patológicas diferentes mas compartilham muitas características comuns. Embora a inflamação seja o indicador tanto da doença de Crohn como da Colite Ulcerosa, as duas doenças têm um efeito marcadamente diferente no sistema intestinal. Ambas têm um carácter crónico, são caracterizadas por períodos de exacerbação e remissão.

Na Colite Ulcerosa a inflamação atinge apenas o cólon (intestino grosso), o recto é o segmento do intestino mais atingido nesta doença, cerca de 90%. Caracteriza-se pela presença de hemorragia rectal, diarreia com sangue ou só sangue, vontade intensa de evacuar, falsas vontades e dor abdominal. Na Doença de Crohn a inflamação pode atingir qualquer segmento do tubo digestivo, desde a boca até ao ânus, incluindo a região perianal. Caracteriza-se pela presença de dor abdominal, diarreia, cansaço, perda de apetite e consequente emagrecimento. 

Para além destas manifestações clínicas intestinais podem ocorrer manifestações extra intestinais, tanto na Doença de Crohn como na Colite Ulcerosa. Quando isto acontece, significa que o quadro de inflamação deixa de estar circunscrito apenas ao tubo digestivo e afecta outros órgãos, tais como os olhos, a pele, as articulações, o fígado, entre outros.

O diagnóstico da DII é realizado com recurso a exames endoscópicos, como a endoscopia e colonoscopia, mas também recorrendo a exames laboratoriais (análises clínicas ao sangue e fezes) e imagiológicos (tomografias e radiografias do intestino).

O tipo de tratamento na DII tem como objectivos principais: diminuir a inflamação induzindo deste modo a remissão da doença, manter o estado de remissão, evitar complicações e manter e promover a qualidade de vida do doente. Apesar de não existir cura para esta doença, o controlo dos sintomas e a qualidade de vida do doente podem ser eficazmente promovidos. O número de fármacos disponíveis, para o tratamento da DII tem aumentado significativamente, graças ao progresso científico e farmacológico. Os medicamentos mais usados no tratamento da DII são: antibióticos, corticoides, imunossupressores e biológicos. Defende-se também que os doentes com DII devem praticar uma dieta equilibrada, variada e completa de forma a promover um bom estado nutricional e uma boa qualidade de vida. Apenas se deve excluir da dieta o leite, nos casos em que haja um défice de lactase confirmado (intolerância à lactose), e as fibras em certos casos específicos na Doença de Crohn.

A maioria dos doentes portadores de DII são pessoas produtivas, conseguem ter uma vida com qualidade e perfeitamente normal.

c.s.s.